Meus Novos Vícios: Dança!

Meus Novos Vícios: Dança!

Eu arranjo bastante pra minha cabeça.

Setembro do ano passado fui pra prainha branca. Descobri que estava gorda quando coloquei o biquini. Um mês depois lá estava eu na academia. Comecei com um yoga, depois veio o pilates. Estica dali, contrai abdome daqui. Quando me dei por conta, estava fazendo musculação. As coisas estavam bem. Mas eu sou sempre muito inovadora nas minhas vontades. Queria aprender a dançar e participar de concurso de dança. Sabe essas divas da salsa? Do zouk? De qualquer dança que você olha pela primeira vez e não entende como uma mulher pode girar tantas vezes num só segundo? Isso ai.

Eu me meto em cada uma…❤

Não bastava eu ficar meditando, me esticando, levantando peso. Não. Tem que ser isso e divar lindamente nos salões do Brasil e do mundo.

Hoje sou bolsista em uma escola de dança, onde frequento às segundas, quartas e quintas-feiras. Faço ballet, samba, zouk, bachata, dança de salão e salsa. Não posso faltar nenhum dia. Não posso e não quero. Dança é dessas atividades que deixam você viciada. Olha aí outro vício.

Saio do trabalho já com as sandálias e as sapatilhas na bolsa, e a cada noite tenho passado de três a quatro horas dançando sem parar. Saio de lá outra pessoa. Esqueço os meus problemas. Esqueço minhas crises.

Vou contar pra vocês como tem sido esse meu começo na dança. Dolorido. Tenho usado sandálias da Capezio, que são próprias para dança de salão. Mas ficar horas de pé com qualquer salto que seja (ainda mais para mim, que nunca me desgrudei de um bom e velho All Star), é muito dolorido. Algumas semanas depois seus pés começam a calejar. O ballet tem me ajudado bastante nisso.

Aliás, comentários especiais para o ballet: eu estava sentindo uma saudade imensa de ouvir palavras em francês dentro de uma sala de aula. Juro pra vocês. Que orgulhinho de mim mesma entender os nomes de todos os passos. Os pliés, a rond de jambe en dehors, os petits battements, etc. Mas ballet não é aquela coisa fofa, dando saltinhos no ar e esticando a perninha que vocês imaginam. Aquilo ali é musculação pura. Em meses de academia eu nunca sai com as panturrilhas tão doloridas e definidas. Todas as segundas e quartas-feiras durante uma hora por dia eu saio de lá suada. A gente se concentra tanto no próprio corpo que não nos resta cabeça pra se preocupar com mais nada. Disciplina, equilíbrio, postura, precisão nos movimentos. Tudo isso pra dançar musiquinhas tocadas no piano. Hoje estou conseguindo me equilibrar um pouco mais nas pontas dos pés, o que me ajuda consideravelmente a ter uma postura nas danças de salão.

Estou apenas começando, mas estou já começando a ter uma compreensão maior do meu corpo, dos meus limites. Adquirindo uma agilidade maior nos movimentos, bem como desenvolvendo minha inteligência corporal.

A dança de salão, como dança a dois é mais complexa. O que importa para a mulher neste caso é estar atenta aos movimentos do cavalheiro. A percepção e a conexão do nosso corpo todo são muito trabalhadas. No começo tudo isso é muita informação, e demora um pouco pra gente conseguir dominar tudo. Ainda mais eu, distraída e teimosa do jeito que sou.

Mas vou aprender, vocês vão ver!


 

A escola de dança da qual faço parte fica na

Carine y Rafael Dance School

Av. Domingos de Morais 1867
São Paulo – SP

 

Quadrinhos | Sobre ser Introvertida

Quando descobri os quadrinhos da Sarah Andersen me senti SUPER representada. São pessoas assim que me fazem sentir que não sou a única “chata&introvertida” do mundo a fugir de certas coisas. Ou de certas pessoas, em geral.

A internet é mesmo uma coisa maravilhosa (às vezes. Raramente.) Por meio dela encontrei uma página no Facebook que traduz os quadrinhos da Sarah para o português! E isso atende tooooda a minha preguiça de ler coisas em inglês. É a Doodle Time in Portuguese. Obrigada, pessoinha brilhante que faz isso❤

 

Separei alguns quadrinhos que ilustram muito bem essa parte de ser uma pessoa introvertida. Cansei de explicar que não estou triste, não estou chateada. Apenas não quero estar com pessoas, às vezes. (acho que vou imprimir esses quadrinhos e colar na testa para a próxima vez que me questionarem).

1 – Quando eu me canso das pessoas

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2 – Quando eu me dei conta de que me dou muito bem ficando sozinha

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3 – Detesto que me encarem. OLHA PRA LÁ, NÃO SOU TELEVISÃO!

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4 – Sobre a opinião das pessoas 

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5 – Sério. Para de olhar pra mim!

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6 – Fazer amigos se torna cada vez mais difícil.

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7 – Sozinha no meu canto…bem mais divertido.

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8 – Toda aquela preparação mental para socializar…

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9 – Entrar em contato é muito. Muito. Difícil.

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10 – Quando seus amigos te entendem. Quando seus amigos também não gostam de socializar.❤

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Rock: Preconceito e Mercado

Rock: Preconceito e Mercado

Li um texto que dizia sobre o preconceito proliferar entre músicos e fãs de rock nas últimas décadas. Acabei por me identificar com o autor desse texto, que em sua adolescência achava que outros estilos musicais, como funk, pagode, axé e outros gêneros populares eram apreciados apenas por gente ignorante, não letrada. Tinha a certeza de que o rock possuía uma superioridade cultural, com sua complexidade musical e letras super elaboradas.

Maior parte dos meus amigos pensava a mesma coisa. Nos vestíamos de preto, deixávamos o cabelo crescer e grudar no rosto, trocávamos playlists com um som bem pesado. Tínhamos aversão à música popular brasileira, repleta de pagodeiros, dançarinos de axé, bailes funk. Odiávamos nossos vizinhos que ouviam forró no último volume. Todo o resto era desprezível.

Mas toda essa vergonha alheia não vinha do fato de curtirmos rock ou metal. Na verdade tínhamos uma mente muito fechada. Típica de adolescente chato, sabe? Defendíamos uma “monocultura” roqueira sem saber suas origens. Ignorantes éramos nós mesmos. Toda a cultura do rock não tem nada com isso.

É normal, o processo de aprendizado demora a amadurecer, e é ainda pior quando a gente tem poucas referências. Com o tempo fui procurar o rock na sua raiz. Encontrei o jazz, o blues, o funk. Apesar de uma rica história cheia de influências de culturas diferentes, acredito que o rock tem perdido esse senso de união ao longo das últimas décadas.

Li um depoimento de um músico brasileiro dizendo que ao contrário de outros estilos musicais o rock “sempre ficou de picuinhas internas, egocentrismos, bandas que se acham melhores que outras e não se ‘misturam’ e NUNCA houve um movimento no mainstream que resgatasse do ‘underground’ bandas desconhecidas para oxigenar a cena.”.

Colocando-me como a fã que fui, assim como muita gente que reage ou reagiu da mesma forma: quando uma banda independente começa a se tornar mais popular, a gente se revolta. Achamos que tal banda se vendeu porque apareceu em X ou Y programa de televisão, ou que apareceu em um festival com outras bandas que não têm o mesmo estilo…

O mercado da música está completamente diferente que a 10 ou 15 anos atrás. Não sendo o mercado saudosista do vinil ou do cd, os músicos agora têm sobrevivido dos seus conteúdos rolando na internet. O que têm sido popular é o que toca nas rádios, programas de tv: é o sertanejo, o funk, o pagode. Estilos que têm sobrevivido porque uma banda apoia a outra, divulga a outra, faz parceria, lança música junto, refresca a imagem, inova. O rock têm sido aquilo lá que a gente já conhece. A galeria do rock vende as mesmas coisas de 20 anos atrás. Pouquíssimas variações. O metal só não desapareceu ainda porque tem o mercado do saudosismo, ao contrário do rock brasileiro. Os fãs de metal ainda gastam com seus ídolos, que são exatamente os mesmos desde 1994. O metal melódico, o black metal sinfônico, o gothic metal, estilos que surgiram ou bombaram nos anos 90, tudo isso já desapareceu e só ficou o metal clássico, thrash e death dos anos 80.

Não vamos discutir subgêneros dentro do que “englobamos” o rock e o metal, ok? Tenho certeza, inclusive, que tem gente lendo esse texto e pensando: “Mas eu não sou roqueiro”, “Mas eu curto heavy metal e não rock”, etc.

Esse pensamento, inclusive, só fortalece o fato de que há muito preconceito entre as pessoas que gostam desse estilo. Não há união. Não há respeito mútuo. Quebrar determinados preconceitos aumentará as possibilidades de conhecer grandes bandas e poder aproveitar, sempre, boa música. Falo por experiência própria. E isso vale para as bandas nacionais que tanto sofrem preconceito. Os fãs de rock que se fecham para a produção musical do estilo no Brasil acabam, sem saber, fechando o mercado para bandas ótimas e impedindo investimentos indiretamente, pois os investidores só apostam dinheiro no que dá retorno.

Tempos difíceis.

Contracultura

Tudo começou na década de 1960.

Os EUA vivenciavam um período de pós-guerra, com a corrida armamentista e o acirramento das lutas raciais. As transformações socioeconômicas com a criação do Estado do Bem Estar Social (Welfare State) provocaram mudanças nos hábitos e comportamentos juvenis. Eles tiveram que se adaptar à tecnocracia (sociedade gerenciada por especialistas técnicos e modelos científicos), que resultava numa realidade mecânica e desprovida de qualquer impulso criativo.

Diante deste contexto, os jovens procuraram “cair fora” (drop-out) e criar sua própria cultura.

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Além da ampliação dos cursos superiores que favoreceu a concentração de estudantes em espaços de discussão, as manifestações contraculturais descobriram na mídia uma potente arma para propagar os seus ideais. Os meios de comunicação em plena expansão aproximavam os jovens e universalizavam os novos valores.

Sendo uma resposta à cultura de massas do Ocidente, era de se esperar que a contracultura tivesse características bastante incomuns para a época. Com caráter fortemente libertário e questionador, repreendia as políticas de esquerda tradicional e discordava dos princípios capitalistas e sua economia de mercado, daí o anticonsumismo.

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Os meios de comunicação em massa, especialmente a televisão, foram amplamente criticados: um ponto contraditório, se considerada a relevância destes meios enquanto difusores do movimento. Além disto, qualquer tipo de violência ou conflito era repudiado, por isso, a busca pela paz. Plantou-se uma nova concepção de família, casamento e relação sexual, a qual admitia liberdade nestes relacionamentos. Pregava-se a vida comunitária e a valorização da natureza, sendo o vegetarianismo, opção à alimentação natural. A religiosidade ocidental foi posta em xeque com a aproximação das práticas religiosas orientais, principalmente o budismo. Colocou-se em voga o respeito às minorias raciais e culturais. Para completar, a experiência frequente com drogas psicodélicas.

Como não encontraram respostas na luta política, canalizaram o protesto para outras áreas. Buscaram nas artes o espaço que desejavam e foram bem-sucedidos nisto. Os primeiros passos da contracultura surgiram com a Geração Beat: poesia anti-intelectualista com tradição boêmia. Mas foi a música a via de maior alcance. Folk, blues e rock’n-roll expressavam, através de suas letras, a rebeldia e o descontentamento.

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Resumo do artigo: http://jornalsociologico.blogspot.com/2009/05/contracultura-o-que-e-como-se-faz.html

Devaneios | Sobre a morte, a música e história.

Escrito no dia 11/01/2015

Acordei disposta, mas a notícia sobre Bowie me murchou.

Não costumo ligar para isso, mas veio aquela vibe “memento mori”. E agora toda vez que me lembro dele me sinto meio pra baixo. Afinal…qualquer pessoa pode ter câncer. Bowie era qualquer pessoa. Não tem mais aquele romantismo e dramaticidade que o Cazuza citou “meus heróis morreram de overdose”.

Sinto uma tristeza. Sinto-me vazia e normal ao mesmo tempo. Um estranho morre. Mas um estranho que eu conheci bem.

Bowie tinha lançado seu último álbum na sexta. Nem tive tempo de ouvir…deixei pra depois. O último que tinha escutado foi o “The Next Day”. A gente fica deixando as coisas pro dia seguinte…vê só no que dá. O cara morre. Tudo está meio vazio, desde então.

Bowie fez algumas idiotices no meio de fases boas. Se meteu na cocaína, fez e falou muita merda. Minha opinião sobre ele não mudou só porque ele morreu. Mas o que ele fez de bom me marcou. E teve muita coisa boa.

Ele influenciou The Cure (vocês sabem que sou viciada em The Cure). Foi basicamente por meio deles que cheguei ao Bowie. E por meio de Kubrick. E Joan Jett. E Mick Jagger. Todas as coisas que eu particularmente gosto são ligadas a ele.

Bowie por ser Bowie não me impressionou muito. Mas ao ler sobre ele vi que muitas das suas inspirações (entre muitas outras posso citar Metrópolis, e também George Orwell)  foram também minhas ai me interessei mais.

O cenário cultural depois da guerra é bem interessante. Depois de 1945 as famílias se reuniam atrás de vitrolas e rádios pra escutar música americana. Recuperar o ânimo. Tentar sair do trauma. Naquela época rolava bastante jazz. Os mais liberais ouviam blues e rock. Mick Jagger era desses. Ele curtia se apresentar na frente da família imitando a voz dos cantores de blues. Bowie demorou um pouco pra amadurecer. Estava acumulando influências, aprendendo mais, se inspirando mais. No meio de uma família problemática. Ele só foi fazer sucesso em 69. Isso depois de ter tentado várias vezes sem ter dado certo. Depois disso rolou uma carreira bem “marqueteira” nas décadas de 70 e 80.

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Mas quando eu era mais jovem não sabia de nada disso. Acho que só comecei a racionalizar meus gostos pessoais depois que li Laranja Mecânica. Ai eu já tinha 17 anos. De 17 pra 18. Antes disso meus gostos não tinham lá um motivo. A vontade de rebeldia era maior que a rebeldia em si. O “querer ser diferente” era apenas um querer.

Laranja Mecânica fala sobre gangues de jovens que surgiram na guerra fria. Os filhos das famílias desconstruídas. Os rebeldes, transgressores, vivendo nos subúrbios das cidades destruídas durante a segunda guerra. Eu apenas lia sobre eles, uma nostálgica de um tempo que sequer vivi.

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Crianças brincando em um subúrbio londrino na década de 50.

Curiosidade: Anthony Burgess (escritor de Laranja Mecânica) levou uma surra de uma dessas gangues. E isso o fez se interessar sobre eles e escrever o tal do livro. 

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O que mais me intriga nessa geração anos 50 e 60 é o trauma. Como ressurgir depois de ter milhões de pessoas mortas no mundo todo. Como uma cidade pode se recuperar depois de ser detonada por mísseis. Quem sobreviveu e como. Homem no espaço…como o mundo encarou isso? Eram coisas grandes pra mim. Grandes demais pra conseguir imaginar. Eu queria estudar sobre. Queria voltar no tempo. E ainda quero, de certa forma. Tudo o que acontece agora é uma consequência de algo que ocorreu antes. Queria corrigir certas coisas. Voltar no tempo seria um ótimo poder, se eu tivesse algum.

RIP Bowie

RIP Bowie

Acordei hoje e a primeira coisa que fiz foi dar uma breve fuçada nas redes sociais. Ato infeliz. A primeira coisa que vi foi uma foto do David Bowie postada no Instagram por uma das pessoas que sigo, com a seguinte legenda:

“I don’t know where I’m going from here but I know it won’t be boring.” RIP Ziggy

RIP Ziggy. Fiquei sentada no chão por uns 10 minutos. Peguei meu exemplar do livro Dangerous Glitter e fiquei folheando-o. Não chorei nem fiz nada dramático. Não costumo me importar com a morte de ninguém do mundo dos ricos&famosos, mas fiquei estarrecida. Bowie está na minha lista de mais escutados (junto com os Stones e o Cure). É difícil notar que uma pessoa foi responsável por todas as inspirações que tive na minha adolescência. Tudo o que eu sonhei ser numa época que gostaria de ter vivido.

Tenho cá apenas vinte e poucos anos. Quando nasci Bowie já tentava emplacar a banda Tin Machine e Tim Burton fazia o filme Edward Mãos de Tesoura inspirado no Robert Smith (afilhado musical de Bowie). Tudo o que sei sobre ele veio de vídeos, fotos e cds. Cresci na base do videoclipe da MTV e da Rádio Rock. Imaginei os anos 60, 70 e 80 como uma época de ouro, onde tudo o que há de melhor na música foi criado lá e reverbera até hoje. Nunca assisti a nenhum show ao vivo dele. Mas gostava de me vestir da maneira que os jovens dessas épocas se vestiam.

A uns dois anos atrás eu estava lendo a biografia do Bowie escrita por Marc Spitz, me tornando fã dos grupos de Mods na Inglaterra, onde David surgiu tentando entrar pro mundo da música, aprendendo a tocar sax, escutando jazz e blues, vendo a insurgência de outras bandas britânicas começando a fazer sucesso. Depois vieram os hippies e toda aquela energia psicodélica tomando conta do mundo pop.

Bowie começou a fazer sucesso assim que foi para os EUA, com a influência de Iggy Pop, Andy Warhol, Lou Reed, e todas as pessoas que frequentavam os gigs daquela época.

Num senso comum as músicas de Bowie, assim como todo o aparato teatral de suas performances, são fruto de uma imaginação regada a drogas e orgias enlouquecidas. Num ponto de vista conservador isso pode ser até verdade. Mas há muito por trás disso.

Não sabemos ao certo o objetivo principal de um artista como Bowie. Mas digamos que ele queria ser reconhecido pela sua arte. Nesse intuito ele deixou-se cair nas garras de produtores mercenários – como vários outros artistas – e foi capaz de reinventar-se, a cada vez que sua música não atraia grande quantidade de ouvintes. Emplacou no final dos anos 60, com o sucesso de Space Oddity em 1969, lançada propositalmente poucos dias antes da missão lunar Apollo 11. Contando também com a inspiração do filme de Kubrick (criado concomitantemente com a obra literária de Arthur C. Clarke) 2001 – Odisséia no Espaço, Bowie não podia ser mais bem-sucedido ao ter um alter-ego vindo também do espaço: Ziggy Stardust.

A partir daí Bowie se inspirou em obras grandiosas para compor sua discografia. Tiro como exemplo obras que também me inspiraram demais: o livro 1984 de George Orwell e o filme Metropolis de Fritz Lang. Bowie não é apenas um drogado ninfomaníaco. Cometeu muitos erros ao longo de sua carreira. Errático. Mas grandioso.

Bowie é a inspiração de todos os músicos que ouço. Tudo o que eu pesquiso sobre arte, música e contravenção tem uma pitada dele. Direta ou indiretamente. E hoje infelizmente tivemos a triste notícia de sua morte. E ficamos sabendo que ele enfrentou um câncer durante 18 meses. Dentro desse período lançou um novo CD, semana passada mesmo (enquanto comemorávamos seu 69º aniversário) assistíamos a seu novo videoclipe – Lazarus, uma clara representação de seus últimos dias: o vemos numa cama de hospital, mas também o vemos dançando, atuando, escrevendo, enquanto o ouvimos cantar (quem sabe talvez profético com relação à própria morte?)

Oh, I’ll be free
Just like that bluebird
Oh, I’ll be free
Ain’t that just like me?

Adeus, Bowie. Mais um ídolo que ainda irá influenciar muitas outras gerações no futuro. Que sua arte seja reconhecida e aclamada sempre.